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200 (Edição Descomemorativa)

  • Foto do escritor: Roger
    Roger
  • 6 de set. de 2022
  • 3 min de leitura

“Que País é Esse?”

(Trecho de música da Legião Urbana, de mesmo nome)



Em 1976, os Estados Unidos promoveram um torneio de futebol – não o futebol americano, mas o futebol que notabilizou nosso país – em comemoração aos duzentos anos da independência, daquele país. Participaram do torneio quatro seleções, sendo uma a anfitriã, juntando um punhado de jogadores da liga local, a Inglaterra, campeã da copa do mundo de 1966, a Itália, então bicampeã mundial, e o Brasil, que conquistara o tricampeonato seis anos antes.


A seleção brasileira sagrou-se campeã daquele torneio, vencendo os três adversários, repetindo, inclusive, o mesmo placar aplicado sobre a seleção italiana, na copa de 1970.


Em um país onde o futebol se encontrava em estágio embrionário, ainda desconhecido de muitos dos norte-americanos, que lotavam e ainda lotam os estádios e ginásios para assistir o football, aquele da bola oval e que se joga com as mãos, seu esporte mais popular, o baseball, o hockey e o basketball, o segundo esporte mais popular, uma modalidade totalmente secundária fora escolhida para integrar as festividades pelo aniversário de sua independência.


Quatro anos antes, o Brasil comemorava o seu sesquicentenário, ou seja, seus 150 anos de independência, e entre as festividades organizou também um torneio de futebol, onde também se sagrara campeão, ao derrotar a seleção de Portugal, pelo placar mínimo. O torneio reuniu seleções de vinte países, de praticamente todos os continentes.


Datas comemorativas são comuns em praticamente todas as culturas; ora relacionadas com as estações do ano, ora relacionadas com momentos históricos marcantes, e mesmo o término de um ciclo e início de outro, como os aniversários, tão celebrados e tão valorizados.


Alguns muitos, inclusive, têm uma considerável elevação da ansiedade, ainda nas semanas antecedentes, tão impactante é a chegada do dia que marca a chegada a este plano de existência; uns até chamam de “inferno astral”, período que compreenderia os trinta dias anteriores.


Muitas delas carregam significados simbólicos e ou reais, não necessariamente ao mesmo tempo. Casais que comemoram bodas de prata e de ouro, por exemplo, denotam além da longevidade de seus relacionamentos, a capacidade de resiliência, perseverança, e até a prevalência dos sentimentos que os uniram, muitos anos atrás.


É verdade que nem todas as datas estabelecidas têm a finalidade de serem comemoradas ou celebradas. Algumas marcam episódios que envergonham a humanidade (com “h” minúsculo mesmo), e por isso não são esquecidas justamente para que tais atrocidades não sejam jamais repetidas pelas gerações futuras; neste caso, é possível celebrar cada ano que passa sem que paire a sombra de horrores passados retornando ao presente, reforçar e ratificar a importância de condutas individuais e coletivas que afastem toda e qualquer possibilidade de novos atos contrários às relações pacíficas, igualitárias e inclusivas.


Quem comemora, portanto, quer expressar sentimentos de orgulho, de esperança, de alívio, de bons sentimentos e ações, de perspectivas otimistas e alvissareiras. Deixar público que aquele dia simboliza algo significativo, ou representa a resultante de ações que consolidam uma situação desejada e atingida. Um novo degrau, uma nova etapa cumprida, mais uma página virada.

Duzentos anos de independência deste país, e a sensação de que não temos nada para celebrar.


Talvez os sentimentos de constrangimento, de vergonha, de falta de autoestima e depressão coletivas, estejam contaminando os habitantes da Terra Brasilis.


Ou talvez a gente nunca tenha deixado, de fato, de ser colônia.



Música do dia: “Vai Passar”, de Chico Buarque




 
 
 

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