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Uma Relíquia Chamada Escola

  • Foto do escritor: Roger
    Roger
  • há 12 minutos
  • 4 min de leitura

Eu quero desaprender para aprender de novo…”

(Rubem Alves)



São poucas as instituições que, ao longo do tempo, ainda despertam tanta atenção de boa parte do mundo chamado “civilizado”.


Atenção, sim — respeito, nem sempre.


Os motivos que fazem a escola continuar atraindo olhares e simpatia são muitos: vão desde questões práticas até vocacionais, passando pelas vivências socioemocionais que marcam essa etapa da vida de tanta gente.


Apesar de sua importância formal, emocional e até prática, o que temos visto nas últimas décadas acende um alerta já antigo: episódios que beiram o absurdo e o abominável, e que, infelizmente, parecem causar cada vez menos espanto e cada vez mais indiferença.


Casos de invasões para furtar computadores e equipamentos, episódios de depredação injustificada das instalações, agressões físicas entre alunos ou contra funcionários e docentes, bem como situações em que a escola se vê alvejada por disparos oriundos de conflitos entre facções criminosas nas imediações, são problemas que infelizmente ainda se verificam com maior frequência em instituições públicas de ensino.


Por sua vez, nas escolas privadas, tornam-se mais recorrentes condutas como as chamadas “carteiradas” de pais para constranger professores ou interferir indevidamente em decisões pedagógicas; agressões verbais e linchamentos simbólicos contra docentes em grupos de mensagens instantâneas, muitas vezes fomentados pelos próprios responsáveis; uso abusivo de atestados e laudos para conceder privilégios a determinados alunos; além de coordenações e direções omissas ou acuadas, que se veem obrigadas a equilibrar, muitas vezes de forma delicada, a manutenção do emprego, a proteção da reputação da instituição e a sustentabilidade financeira.


Tanto nas escolas públicas quanto nas particulares observam-se problemas como indisciplina generalizada, bullying e cyberbullying, vandalismo virtual e presencial, conflitos familiares refletidos no ambiente escolar, pressão excessiva sobre professores, comunidade escolar pouco participativa e dificuldades de manter um clima organizacional saudável. Também são comuns desafios estruturais, como a defasagem no aprendizado, sobrecarga administrativa de docentes, baixa valorização do trabalho pedagógico e a crescente necessidade de lidar com questões socioemocionais complexas que afetam quase todos os alunos, independentemente da rede de ensino.


A Escola não é uma criação recente, tampouco exclusiva de uma cultura. Também não surgiu sem razão, e só perdurou tanto tempo porque contou com vários fatores que a sustentaram.


2025 - RDA Eventos Artísticos - Imagem concebida e criada com o auxílio de ferramenta IA.
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A humanidade — seja lá o que “humano” signifique — tem o hábito de criar instituições para todo tipo de finalidade. E também costuma dar a essas instituições mais importância do que as razões que as originaram. Exemplo disso são os poderes constituídos, que muitas vezes se tornam um fim em si mesmos, distantes da função de representar e dar resposta às demandas da sociedade. O mesmo ocorre com algumas religiões que, em vez de promoverem evolução espiritual e bem-estar, acabam centradas apenas em si próprias, no seu patrimônio material, no prestígio social e político dos seus donos.


O dinheiro talvez seja o maior exemplo dessa distorção: afastou-se tanto de seu propósito original que ganhou vida própria e, há muito, passou a existir também em função de si mesmo. Atraindo multidões, leva muitos a ignorar qualquer regra moral ou legal para obtê-lo — uma devoção que lembra a obsessão de um famoso personagem de cinema por um certo anel.


Por tudo isso, não surpreende que a Escola também venha sofrendo ataques às suas vocações e finalidades — e isso não é novo. Os acontecimentos mais chocantes envolvendo sua estrutura, suas funções e seus protagonistas talvez sejam apenas o ápice de um longo processo de desgaste, distorção e desvio de seus objetivos essenciais.


Ainda assim, a instituição Escola permanece de pé — embora não necessariamente saudável.


Entre diversas formas de compreender suas responsabilidades, é razoável dizer que ela se apoia em três pilares interdependentes, todos essenciais para o funcionamento e continuidade das sociedades. Não há ordem de importância, pois, como em um tripé, a falha de um compromete os outros.


O primeiro pilar pode ser chamado de pulverização do conhecimento: a escola como responsável por transmitir e difundir as experiências acumuladas pelas sociedades, ao longo das gerações, preparando crianças e jovens com informações necessárias para a vida adulta e produtiva.


O segundo é o desenvolvimento de habilidades, virtudes e aptidões: o espaço onde estudantes são observados, estimulados e encorajados a expressar talentos e capacidades, para que esses atributos sejam desenvolvidos desde cedo e lhes permitam ocupar seu lugar na sociedade com eficiência, qualidade e satisfação pessoal.


O terceiro pilar é o desenvolvimento da interação e integração social: considerando que a família é, em tese, a primeira escola, e a escola o segundo lar, o ambiente escolar oferece o espaço para exercitar convivência, cidadania, linguagem, comportamento, respeito, organização, hierarquia, entre outros elementos essenciais à vida em grupo. Também é onde se aprende a lidar com interesses e conflitos que surgem dessa convivência.


Este pilar tem uma particularidade: ele revela, com clareza, como as condutas dos alunos refletem diretamente o ambiente familiar em que vivem e os exemplos que recebem.


Este é o convite ao leitor: percorrer uma jornada que busca avaliar como cada um desses pilares está hoje, e, a partir disso, compreender os fenômenos que têm afetado de maneira tão profunda uma instituição que ainda recebe, quase unanimemente, os melhores olhares da população.


Música do dia: “Rua Ramalhete”, de Tavito.


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