top of page

A FOTO

  • Foto do escritor: Roger
    Roger
  • 19 de abr. de 2022
  • 2 min de leitura

“Só vê as pinga que eu bebo, mas não vê os tombo que caio.”

(Ditado Popular)




Às vezes aparece na lista das sete artes, junto com o seleto time da Arquitetura, Cinema, Dança, Escultura, Música e Pintura; à vezes, cede lugar porque, afinal de contas, como deixar a Literatura de Lado? Às vezes, a Fotografia figura como “oitava” arte, disputando com os videogames, mesmo sendo a antepassada legítima da sétima arte, o Cinema (afinal, o termo cinema vem do “cinematógrafo”, que dentre uma ou outra significação, consiste em um projetor de várias fotos em sequência, fotos em movimento).


Mas não é a sua mais do que merecida classificação no universo artístico que importa no momento; até porque a fotografia, dentre todas as manifestações aludidas e as que se tornarão, talvez seja uma das que mais se aproveitou dos processos de modernização tecnológica, uma vez que a foto está ao alcance de praticamente todos, através dos aparelhos celulares.


A foto tem o poder de, ao contrário do cinema, de deter o “monopólio” da captura de um momento. A flor desabrochada, o beija-flor e suas asas, agora visíveis, a bola deformada na cabeça do jogador; o detalhe, a nuance, que muitas vezes pode ser decisiva, ou mesmo a essência, a apoteose de um movimento, o divisor de águas, a dúvida dirimida ou a decisão arbitrada.


Congela, grava na memória, recorda, remete, culmina; comprova, flagra, celebra, confraterniza; prenuncia, ilustra, decora, eterniza.


Entretanto, se por um lado a foto nos compraz com as sensações que expressamos nela, bem como dela decorre, ou quando a foto é decorrência do que fizemos até aquele momento, por outro lado, alguns muitos tendem a analisar os fenômenos à nossa volta como se fossem fotografias.


Quando estamos em algum momento social agradável, e resolvemos registrar o fragmento de um todo, a foto tende a expressar, ao menos naquele momento, algo que se assemelha à realidade.


Quando, porém, se decide por determinar o caráter, a personalidade, tomando como o todo aquilo que é detalhe, bem como inferir juízo de valor sobre esta ou aquela pessoa, ou posicionamento desta, alguns muitos tendem a prejulgar e condenar inocentes, rotular pessoas, alterar realidades e reagir somente de acordo com o que se inferiu.


Analisar os outros como um fenômeno estanque, tal como uma foto, uma simples foto, desprezando o que antes acontecera, o que precedeu, as circunstâncias, a trajetória que culminaria naquele momento, muitas vezes interpretado e não constatado, e muito menos o que se sucede, antecipando um futuro que muitas vezes aponta para um lado deveras divergente, transformamos gente de bem em figuras teratológicas, e igualmente transformamos figuras teratológicas em paladinos.

Alguns muitos, dentre nós, constroem suas próprias realidades com base nos fragmentos muitas vezes repletos de trucagens, porque deve ser mais fácil e cômodo ver o que está à sua volta como uma foto, do que assistir, tal como uma história, o que realmente se passa, o empenho e esforço daqueles que procuram viver da forma mais elevada possível, os obstáculos enfrentados, os esforços despendidos e as consequências desses esforços.

Talvez, por isso, a miríade de fotos mostrando gente feliz, realizada e bem sucedida, não corresponda ao cotidiano testemunhado por alguns tantos outros.


Dorian Gray às avessas.


Música do Dia: “Caleidoscópio”, com Dulce Quental.


Sol nascente, pela janela de casa; ou será poente?

 
 
 

Comentários


(11)94300-8520

Formulário de inscrição

Obrigado(a)

©2020 por Deixa Disso!. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page