top of page

A MÃO DO MÁGICO

  • Foto do escritor: Roger
    Roger
  • 23 de ago. de 2022
  • 3 min de leitura

Atualizado: 1 de abr. de 2024

A melhor forma de prever o futuro é criá-lo.”

(Peter F. Drucker)



Mandrake era o nome de um personagem de histórias em quadrinhos e que também transitou nas telonas, desfilando seus talentos de ilusionista, de hipnose e até de telepatia, usando-os em favor do bem; com o surgimento de novos heróis, mais poderosos, bem como outras novas tecnologias que proporcionaram verdadeiras “revoluções” nas artes, como os efeitos especiais utilizados nos cinemas e na televisão, tal personagem foi desaparecendo, sendo encontrado apenas nos museus e entre os ainda cultuadores saudosistas.

Deixou como herança, e até recentemente utilizado entre nós, o termo “mandracaria”, que caracteriza uma ação realizada com significativa dose de “artifícios criativos”, usando um tom diplomático. Deixou também como legado, juntamente com outros personagens da vida real, mágicos que se notabilizaram pela capacidade de apresentar ao público proezas que desafiavam a lógica do espectador, e a valorização da atividade, ao menos até alguns anos atrás.

Os espetáculos ilusionistas ganharam muito requinte, muita tecnologia, ainda atraindo muita gente para assistir, boquiabertos, os truques quase indetectáveis dos artistas. O grande “barato”, por assim dizer, era mergulhar naqueles artifícios, e muitos dos espectadores se deleitavam tentando descobrir como o mágico realizava tais atos, com ou sem a ajuda da fiel assistente, não raramente cortada ao meio pela impiedosa serra, perfurada seguidamente pelas espadas, ou mesmo surgindo em outro local, dentro ou fora das instalações onde se realiza o espetáculo.

Quando as pessoas decidem ir ao espetáculo de mágica, elas esperam que o truque, além de passar despercebido de todos, mostre uma saída criativa, inesperada e apoteótica para o desafio proposto pelo ilusionista.

O público, conscientemente, vai ao espetáculo esperando pelos truques - ser iludido pelo artista é o maior dos truques, feitos diante dele; quanto mais difícil de encontrar onde se encontra o truque, melhor é o mágico que consegue realizar suas manobras sem que os espectadores descubram como as realiza.

O ilusionista conta com a aquiescência do público, quando pratica as suas habilidades.

Um dos truques, ou talvez o truque básico de um ilusionista, está na capacidade de desviar o foco do espectador para alguma parte do seu corpo ou objeto à sua volta, para que não se perceba o que o mágico está realmente fazendo para atingir seus objetivos.

Quanto maior o tempo que concentramos nossa atenção no foco induzido pelo artista, mais tempo e tranquilidade ele tem para lograr êxito em seus intentos.

Ou seja, no fundo é o que os espectadores esperam dele…

Entretanto, fora dos palcos, quando se trata da vida e do cotidiano dos cidadãos - sejam eles os menos favorecidos e até alguns privilegiados - aqueles que são detentores do poder e que controlam as “cordinhas” do país e de seus governantes, promovem, sem nosso consentimento, sem nossa vontade, sem nosso interesse, inúmeros mecanismos dissimulatórios, cortinas de fumaça, artifícios, para que nos concentremos em fenômenos dispersos, em conceitos difusos e sem conteúdo, em inverídicos conflitos entre os indivíduos, e assim possam fazer os truques que não nos interessam.


São ilusionistas que desfocam a realidade, induzem a população a crer em soluções que nada mais são do que mecanismos que reproduzem e mantém a situação do jeito que está; passamos a crer que o que vemos é a luz no final do túnel, enquanto garantem as benesses e manutenção dos seus interesses, quase sempre escusos. Em uma mão, está o que imaginamos ser as soluções; na outra, o que realmente pretendem fazer, longe de nossos olhos e atenção.

São várias as formas de distração, aquelas que nos fazem olhar para a mão “errada” do mágico: é quando iguais se digladiam entre si, por discutíveis e artificiais diferenças ideológicas; é quando olhamos para o balde ao invés da goteira; é quando lutamos por mais remédios ao invés de lutar por vidas mais saudáveis; é quando se pensa que a bala educa mais do que um livro ou caderno; ou quando lutamos por mais caminhos para o trabalho ao invés de trabalharmos mais perto de casa; é quando olhamos somente para o candidato a presidente ao invés de olharmos para os congressistas; ou quando cremos ser capazes de mudar as coisas para melhor com os olhos grudados nas telas dos telefones inteligentes.

Veio agora, por fim, o temor de que, talvez e no fundo, alguns muitos prefiram mesmo viver suas vidas olhando para a mão da distração, e não para a mão onde se está fazendo o truque.

Ver as coisas como elas são exige aperfeiçoamento individual e coletivo, esforço, estudo, empenho, e arrancar as raízes do comodismo, da teimosia e das conveniências frívolas e imediatas.

Mudar, ainda que para melhor, dá trabalho…

Ilusão é acreditar que os resultados mudem para melhor, sem que as atitudes mudem.


Música do dia: “Saco de Feijão”, com Beth Carvalho




Fonte: TV Jaguar - http://www.tvjaguar.com.br/ - acesso em 17/08/22


 
 
 

2 comentários


denise2729
denise2729
27 de set. de 2022

Mudar é difícil e necessário, mas a inércia é tão mais fácil...

Curtir
Roger
Roger
27 de set. de 2022
Respondendo a

Olá, Denise!! Muito, mas muito obrigado pelo seu comentário!! Certo dia, ouvi o Dr. Drauzio Varella explicando a tendência humana pelo sedentarismo; se temos a geladeira, o fogão e os apetrechos da vida moderna, que dispensam caçar as presas e fugir dos predadores, por que então nos esforçaríamos fazendo exercícios físicos? A inércia, de certa forma, é quase um ideal para as pessoas; só que ela cobra um preço, muitas vezes caro. Além disso, muita gente quer se manter inerte, mas obter resultados que só acontecem se saírem do lugar. Vivemos de escolhas... grande beijo!!

Curtir

(11)94300-8520

Formulário de inscrição

Obrigado(a)

©2020 por Deixa Disso!. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page