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Discurso sobre o Desejo

  • Foto do escritor: Roger
    Roger
  • 27 de jul. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 6 de set. de 2021

“Me diga, qual é o seu maior desejo?”

(Lúcifer Morningstar, personagem de seriado de TV)



Se apresentam de vários modos; de diferentes origens, pois podem ser fisiológicos, sociais, religiosos, econômicos, políticos, ou outros cuja lembrança impeça momentaneamente. Retratados nas mais diversas formas de arte, tendo muito destaque na literatura, no cinema, na música. Alguns muitos são escravos deles porque os possuem, outros muitos são escravos porque não os possuem.


Alguns são facilmente alcançáveis, outros parecem uma ilusão distante; alguns são fáceis de se ter, porém difíceis de ganhar (lembra uma letra de música). Alguns são tomados à força, outros gentilmente compartilhados. Alguns muitos são públicos e socialmente incentivados; outros muitos, todavia, secretos e inconfessáveis. Uns são fruto do empenho e conquistados, outros são concedidos de graça.


Já foi cogitado antes que talvez o ser humano seja o único ser vivo deste planeta, que é capaz de atribuir diferentes significados e funções para um mesmo objeto. Uma simples pedra, para um, pode ser uma arma para outro, ou mesmo um degrau para um outro, bem como pode servir de ferramenta, ou algo que ainda irão deduzir.


A capacidade de abstração, de projetar objetos, situações e ações ainda no plano do pensamento, além de ser um dos principais fatores para que o auto intitulado homo sapiens saísse das cavernas, é um farto terreno para os desejos brotarem com força e vigor; isso porque é plenamente possível se desejar algo que não se conheça ou se tenha vivenciado, ou mesmo algo que nunca tenha visto, quando não sequer exista.


Desejos são facilmente confundidos com necessidades, a ponto de muitos de nós termos dificuldades consideráveis em identificar uns e outros; durante séculos, tal como trigo e joio, entranhados em nosso subconsciente, somos constante e eternamente bombardeados para que jamais saibamos identificar um e outro, muitas e muitas vezes buscando alcançar aquilo que desejamos, sem saber se necessitamos, e declinar das necessidades porque nem sempre as desejamos.


Um dos objetos da ciência humana chamada Economia, busca alocar da forma mais eficiente possível, a limitada e escassa oferta de recursos, ante as ilimitadas necessidades (não seriam desejos também?) das pessoas. Até o maior vilão do cinema na atualidade exorta que o universo é finito; mas os desejos... estes aumentam na direta proporção da capacidade de cada um em alimentá-los, bem como do estímulo externo que nos induz a assimilar como necessidade algo que tenha a finalidade apenas de proporcionar benefício material para terceiros.


Na ânsia decorrente em satisfazer nossos desejos, alguns muitos buscam satisfazê-los sem se importar se são necessários, com a forma pela qual pretendem saciá-los, inclusive sem mensurar o preço que pagarão por isso.


Desejamos o desnecessário; desejamos o que não nos pertence; desejamos aquilo que jamais teremos; desejamos sem saber se realmente queremos; desejamos o resultado sem o esforço; desejamos a ponto de furar a fila; desejamos condenar sem julgar; desejamos ganhar sem trabalhar ou disputar; desejamos a melhor nota sem estudar; desejamos que o outro nos sirva, que saia de graça, o melhor lugar, a roupa de marca, o melhor convênio hospitalar, aquele modelo de celular; desejamos viralizar, que o outro nos veja como espetacular, que acreditem na felicidade estampada na rede social, não sem antes a imagem retocar; desejamos aquilo sempre antes de todos, desejamos mais, desejamos tudo aquilo que jamais vai preencher o vazio, a imensidão da alma sem sentido, que os próprios desejos fizeram o favor de cavar.

Desejamos brilhar às custas do brilho alheio, e se não der, desejamos o brilho alheio ofuscar.


É verdade, todavia, que nem todos os desejos são incompatíveis com a evolução e com bons sentimentos, valores e atitudes. São desejos que não possuem um fim em si mesmos. Os desejos que impulsionam as pessoas a buscar seus sonhos, a realizá-los. Aqueles que fazem os recordes, as grandes invenções em prol da Humanidade, as árias inesquecíveis, os que proporcionam aquele brilho nos olhos e o sorriso incontido, depois de um momento de amor especial.


Entretanto, a resultante das ações humanas aponta para outra direção.


O discurso sobre o Desejo é o primeiro degrau de cinco.


Música do dia: “Comida”, dos Titãs


Créditos: www.escolhaviajar.com - Bora-Bora

 
 
 

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