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Ensaio sobre a Honra

  • Foto do escritor: Roger
    Roger
  • 11 de jun. de 2024
  • 3 min de leitura

“Ninguém jamais foi honrado por aquilo que recebeu. Honra é a recompensa por aquilo que damos.”

Calvin Coolidge.



O ano é 2004; o filme, um épico que reúne excelentes atores e atrizes; os dois protagonistas, Aquiles e Heitor, travam uma luta onde apenas um sobreviverá.


Em um determinado momento da luta, Heitor, um tanto atordoado depois dos inúmeros e poderosos ataques de seu oponente, tropeça em uma pedra e cai. Aquiles, categórico, brada:


“Levante-se, Príncipe de Tróia! Não deixarei uma pedra tirar a minha glória”.


Não se aproveitou de um acaso fortuito para obter a vitória, o que aconteceu com Heitor de pé.


O ano é 2009: em jogo válido pela repescagem para a Copa do Mundo da África do Sul, uma das grandes seleções, já campeã do mundo anos antes, em uma partida tensa, consegue o gol que garantiria a participação na competição; só que o gol foi fruto de uma flagrante jogada ilegal com a mão, realizada por um dos seus mais importantes atacantes. O árbitro não viu, o auxiliar não viu, o mundo viu pelas câmeras da TV; o “crime” compensou.


Honra talvez seja um termo dos mais difíceis de se definir, por razões múltiplas, como referências de ordem cultural, conjuntural, circunstancial, e principalmente, prática; em dias onde tudo é relativo, onde o resultado é o que conta, e o valor há muito tempo se concentra na coisa e não na pessoa, tal vocábulo pode ter seu sentido progressivamente desidratado, perdendo o seu sentido.


Não será neste espaço, todavia, que se esgotará o seu significado.


Até porque, conforme é possível testemunhar em diversos meios de comunicação, não raro se lê ou se escuta que “até entre ladrões existe honra”…


Será isso possível?


Dentre as diversas e relativizadas formas de se entender honra, talvez esta seja um valor que, em um primeiro momento, vincule o nome, a reputação, à sua verdadeira capacidade de realização, bem como o que fora realizado; nesse sentido, honra é uma virtude que transcende classes sociais, escolaridades, ou outras classificações tão em voga nos dias de hoje, nem sempre apologéticas.


Honra, ao que parece, não nasce com o indivíduo, é um valor que se conquista.


É diretamente proporcional à credibilidade dos seus discursos e suas práticas; o que se diz tem peso e coerência, e o que se faz coaduna-se com o que se vive.


A pessoa honrada, talvez, seja muito previsível, pois está atrelada aos critérios e princípios que escolhera para trilhar sua jornada.


Entretanto, honrar ou ser honrado pode exigir demais para alguns muitos; estes, afoitos, desejam a todo custo atingir seus objetivos, obter reconhecimento público, status, prestígio, fama, likes, monetização, sem percorrer os caminhos que venham a atestar a associação entre resultados e esforços.


Aquele atalho que economiza tempo e prescinde do aprendizado, da experiência, do treino, do esforço, se oferece de uma forma tentadora para aqueles que pouco se importam com a forma, o método, o critério, apenas com o resultado.


A ausência mínima de tal conceito de honorabilidade facilita sobremaneira que alguns, não poucos, não se auto envergonhem dos atos de ética e lisura discutíveis, para não dizer sórdidos, com objetivos umbilicocentristas de sucesso e fama fáceis.


Obter recursos financeiros ludibriando pessoas de boa-fé e incautas, através de artifícios nas mídias sociais, tratamentos estéticos sem a qualificação e segurança adequados, aquisição de likes e de seguidores para ostentar uma influência inexistente, usar laudos médicos para indulgenciar maus comportamentos nas salas de aulas, vender um pedaço do céu para aflitos, compartilhar informações de origem duvidosa nos seus círculos sociais… a lista é enorme e em constante atualização.


Em um mundo onde ser não tem mais importância do que ter, e que parecer ser ou parecer ter seduz mais, a Honra se encaminha para dois cenários: ou vai se transformar em letra morta, ou apenas sinônimo de pagar as contas em dia.


Música do Dia: “Atrás Poeira”, de Ivan Lins e Rafael Alterio.



Gestos simples também refletem Honra - criado por IA (ao natural é mais difícil!)

 
 
 

2 comentários


Soraia Ruiz
Soraia Ruiz
11 de jun. de 2024

Enquanto o TER sobrepor o SER, não haverá honra que se mantenha em pé. Arriscaria dizer que não haverá valores, que andam perdidos por aí, no meio das multidões de likes e exposições desnecessárias! Parabéns pelo texto!

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Roger
Roger
12 de jun. de 2024
Respondendo a

Olá, Soraia!! Muito, mas muito obrigado pela visita e comentário! Você tocou em um ponto, que são os valores! Eles podem mudar, e é saudável que alguns mudem. O problema é quando as pessoas querem parecer algo que não são, com métodos incompatíveis com os resultados, para obter fama, sucesso e dinheiro sem estar à altura do que parece ser! Grande abraço!!

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