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Ensaio sobre a Vergonha

  • Foto do escritor: Roger
    Roger
  • 30 de nov. de 2021
  • 2 min de leitura

“Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas.”

(A Carta, de Pero Vaz de Caminha)



Do que você sente vergonha?


Alguns sentimentos, aparentemente, são mais fáceis de classificar, como o ódio, tão em voga nos dias atuais, em especial à época que se escreve este texto; ódio, euforia, alegria, angústia, tesão, medo... de alguma forma, alguns destes é possível encontrar, em diferentes estilos, em todas as pessoas, com alguma facilidade.


Entretanto, a sensação de que determinados sentimentos são mais suscetíveis a mudar sua face de acordo com a época, a cultura, as circunstâncias e mesmo com as referências e exemplos adquiridos, coloca a vergonha no rol dessas reações.


A vergonha, talvez, seja um sentimento inerente ao ser humano, presente em todas as organizações sociais humanas e em sua diversidade de culturas; muito provavelmente, está relacionada a uma atitude de um indivíduo, voluntária ou não, deliberada ou acidental, cuja exposição, que pode ser ampla ou restrita, cause mal-estar a este.


Aparentemente, ninguém deseja sentir vergonha, mas não necessariamente deseja abrir mão daquilo que os envergonha.


Aparentemente, também, muitas são as pessoas que se envergonham porque desejavam incisivamente realizar algo, mas não lograram êxito.


Alguns muitos deveriam sentir vergonha do que fazem, mas não se envergonham.


Alguns outros muitos, se envergonham do que outros fazem.


Tem gente que nunca sente vergonha.


Tem gente que se envergonha de tudo.


Tem gente que se sente orgulhosa do que faz, enquanto tem gente que se envergonha desse mesmo feito.


Tem gente que deveria sentir orgulho, mas se envergonha.


Essa primeira parte do ensaio, “desavergonhadamente”, tem a intenção de convidar o leitor ou leitora a responder, para si mesmo ou para si mesma, ou nos comentários, o que o faz ou a faz se sentir envergonhado ou envergonhada.


Mais importante do que tecer raciocínios mais elaborados, ou apresentar um ponto de vista particular, esta provocação manifesta a curiosidade em aprender, compreender, depreender, as diferentes formas e diferentes causas que geram este sentimento, o qual para alguns, parece estar ficando démodé.

A partir sim, das próximas quinzenas, este ensaio vai arriscar algumas considerações, tanto com base no que se ouviu, ou que se leu, bem como no que se observara ao longo dos anos.


Do mesmo modo que começou, este escrito termina com a mesma pergunta:


Do que você sente vergonha?


Música do dia: “Por debaixo dos Panos”, com Ney Matogrosso.


Com a Tequila, eu sempre perco a vergonha. Com Tequila.

 
 
 

1 comentário


dario.leme
01 de dez. de 2021

Enquanto nosso amigo Pero considerava "suas vergonhas"somente quanto a nudez, mas atualmente podemos ter vergonha de outras coisas, tendo em vista que a maioria de nós não andamos pelados.

Vamos pensar em como vamos acabar as novas vergonhas.

abs

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