Fogueira Fria
- Roger

- 26 de mar. de 2024
- 1 min de leitura
É uma grande praça, em cujo centro se encontra uma igualmente grande fogueira.
É uma praça pública, onde todos que queiram se manter aquecidos podem se aproximar, desde que ajudem a manter a fogueira acesa, jogando lenha.
Alguns muitos, contudo, mesmo que sentados próximos da fogueira, e mesmo jogando lenha, continuavam com frio.
Todavia, outros muito poucos, independente da distância, e mesmo sem jogar lenha, se mantinham aquecidos por todo o tempo.
O manto da noite cai, e o frio, implacável, se faz mais presente, açoitando com o vento cortante aqueles que não se aquecem.
Esses tantos, sôfrega e freneticamente, buscam a todo custo mais e melhor lenha; aperfeiçoam as formas de coletar, incrementam a qualidade dos gravetos; carregam feixes cada vez mais pesados, na esperança de sorver o calor emanado da grande fogueira, para a qual tanto alimentam.
Só que o frio não passa.
Tantos jogando lenha, e tão poucos se aquecendo.
Tão poucos aquecidos com o esforço dos que passam frio.
O brilho da chama, flamejante, seduz e hipnotiza o contingente, de iludida tanta boa gente, que de forma tão diligente, que entrega tanto esforço aos que deles se aproveitam, estes, de maneira ingrata e indiferente.
O tempo passa – e é isso que o tempo faz de melhor – e esse contingente não entrega somente seu tempo; suas energias, suas expectativas e esperanças também, que acabam muitas vezes em cinzas, consumidas na chama fria e entorpecente, em favor dos poucos que se alimentam de toda essa egrégora, com sua influência.
Música do dia: “Lenha”, com Zeca Baleiro.

Imagem criada por mim através de IA.






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