GLADIADORES MODERNOS
- Roger

- 23 de mai. de 2023
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de mai. de 2023
“Quem cala, sobre teu corpo, consente na tua morte…”
(Milton Nascimento, da música “Menino”)
Eram escravos capturados de diversas partes, colocados em área específica, para lutar pelas próprias vidas, seja enfrentando uns aos outros, seja enfrentando grandes felinos famintos.
Lutavam pelas próprias vidas para entreter o povo, o qual, enquanto entretido, alheio permanecia aos problemas, necessidades e ações perpetradas pelos seus governantes.
Uma vez gladiador, e dentro da arena, o que se esperava dele era tão somente a sua morte, cabendo apenas lutar para ser o último, e adiar o quase inevitável fim.
Alguns, com alguma sorte, algum talento, e muita luta, conseguiam sobreviver à arena e ao público sedento de sangue, tornando-se até celebridades.
Os gladiadores de hoje, diferente de séculos atrás, não morrem sob a ponta de uma espada, ou ataques furiosos das feras famintas; representam agremiações, que podem ser locais, municipais e mesmo nacionais, que adentram à arena para sobrepujar um oponente que, em tese, busca o mesmo objetivo.
Algumas agremiações, inclusive, pertencem a um Rei.
Os gladiadores de hoje (a minoria, é claro) podem auferir fortunas em vida, seja licenciando produtos, ou como garotos-propaganda de materiais e uniformes de batalha, ou mesmo auferindo ganhos apenas pela exposição de sua imagem.
Entretanto, em alguns lugares, e mesmo aqui em nossa Terra Brasilis, alguns muitos ainda guardam resquícios dos primórdios: tratam alguns dos gladiadores como animais, continuam a clamar por sangue, projetam nos gladiadores seus piores e inconfessáveis sentimentos, os quais geralmente não têm coragem de fazê-los senão quando se encontram em bando.
Mormente quando se tratam dos forasteiros.
Alguns muitos, inconformados com a notoriedade, fama e fortuna dos forasteiros, daqueles que são aos seus olhos diferentes, daqueles que ocupam os espaços que poderiam ser dos ali nascidos, destilam todo o ódio por se transformarem em cativos daqueles que, outrora, eram escravizados.
O colonizador prostrado ao colonizado. Ironia do destino.
O colonizador incapaz de produzir um gladiador autóctone que seja pelo menos tão poderoso quanto os forasteiros.
Mais fácil desqualificar o forasteiro.
Mais fácil ser covarde, escondido atrás dos dinares que a história fartamente mostra de onde vieram.
Música do dia: “Panis et Circensis”, versão Marisa Monte

Fonte: Brasil de Fato RS, in: Artigo | Vidas negras importam sim | Opinião (brasildefators.com.br)






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