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O Efeito Móbile

  • Foto do escritor: Roger
    Roger
  • 2 de fev. de 2021
  • 3 min de leitura

“O que fazemos para nós mesmos morre conosco. O que fazemos pelos outros e pelo mundo permanece e é imortal.”

(Albert Pine)



Não é novidade para ninguém da capacidade do ser humano em construir sua própria noção de verdade, de realidade, de certo e de errado.


Também é mais do que conhecida a sua capacidade de enxergar, depreender ou interpretar um mesmo fenômeno, ou um mesmo objeto, cada um ao seu modo, de acordo com as referências ou as necessidades que prevaleçam naquele momento.


Essa capacidade chegou a tal ponto que - tal o nível de relativismo que o indivíduo absorveu para si - o fato e a verdade se confundem com versão. Cada um pode ter a sua, independente se foi testemunha ou não deste ou aquele acontecimento.


A capacidade humana de abstração é tão poderosa, que é capaz de dirigir sua vida, fazer escolhas, tomar decisões e fazer julgamentos apenas com o universo construído com os tijolos feitos do pouco que se sabe, entremeados com a argamassa daquilo que desconhece.


É verdade – há de se reconhecer – que tal forma de lidar com o mundo que o cerca, também trouxe alguns benefícios: controlar o fogo, aprender a cozinhar, usar a alavanca, confeccionar vestimentas, a roda, para ficar apenas nesses exemplos, foi fundamental para que esta espécie, desprovida de couro, de garras, de presas e de velocidade, fosse capaz de sobreviver por tanto tempo.


Mesmo assim, é curioso ver como as inúmeras formas de desenvolvimento humano se consolidaram, a despeito da atrofiada habilidade de empatia, de considerar que existem outras formas de pensar e agir, outras formas de querer e fazer.


Apesar de que todos, quando abrem os olhos quando despertam, só vislumbrem a realidade com base nas suas próprias percepções, a vida gregária deveria ensinar que os outros também possuem sua peculiar forma de ver a realidade, de viabilizar seus desejos, de buscar a satisfação de suas demandas.


Os séculos vêm demonstrando que os desafios comuns acabam sendo superados – raramente em conjunto ou pela interação – ou pela força, imposição, subsunção, ora pelo solene desprezo. Os resultados também se assemelham: desigualdade, umbilicocentrismo, soberba, dor, sofrimento, desesperança, tirania - ainda que velada.


Inconscientemente, absorvemos a ideia de que nosso cobertor vivencial é capaz de cobrir todo um universo de formas de pensar e agir; que a nossa forma de pensar, nossos anseios e opiniões bastam per se, ainda que exista um sem-número de formas tão iguais e legítimas, e que muito provavelmente podem ser tão boas, até melhores, ou ao menos complementares.


Qualquer forma de desconsiderar a perspectiva de um semelhante, principalmente quando nem se tenta fazê-lo, pode ser o combustível para tantas tensões e desencontros, de frustrações e desapontamentos, de resultados desencontrados.


É o efeito Móbile.


Ornamento pedagógico cuja função principal é estimular os bebês através das cores e objetos em movimento, quando não também possuem música. Além de ajudar o pequenino a desenvolver o foco nos objetos, ajuda também com os primeiros movimentos, ainda deitado em seu berço.


Quem compra, leva em consideração a estrutura, as cores envolvidas (para combinar com o quarto), a capacidade de movimento, as ilustrações.


No plano horizontal.


No plano de quem compra.


De acordo com fatores totalmente alheios ao suposto destinatário.


Nunca – ou quase nunca – se compra levando em consideração o que o bebê vai ver.


E pensar que alguns muitos até governam assim.



Música do dia: Música para Ninar Gente Grande (Luís Vieira)


Créditos: Ser Mãe (www.sermae.pt) - o que será que o bebê está vendo?

 
 
 

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