O Olimpo - Um ensaio sobre a indiferença
- Roger

- 21 de jan. de 2025
- 2 min de leitura
"... E sem o seu trabalho, o homem não tem Honra,
e sem a sua Honra, se morre, se mata,
não dá para ser feliz..."
(Gonzaguinha, da música "Guerreiro Menino")
Na mitologia grega, o Olimpo é frequentemente retratado como a morada dos deuses, um local de poder, sabedoria e autoridade. Esse simbolismo muitas vezes se reflete nas interações humanas, especialmente nas redes sociais profissionais.
Nessas plataformas, os "deuses" ostentam, gabam-se e exibem seus talentos e conquistas; formam uma elite de sucesso, imune e distante da realidade da esmagadora maioria dos mortais e aspirantes eternos, que sonham em se juntar a esse círculo exclusivo, vendendo frequentemente a ilusão de que todos, um dia, poderão ascender a esses reinos celestiais.
Contudo, deve-se reconhecer que os "deuses do trabalho" atuam e expressam suas visões de mundo dentro dos limites constitucionais e legais, ou seja, não cometem atos ilegais ou moralmente questionáveis; além disso, são legitimados por seus "likers" e seguidores, de maneira similar às preces que ascendem aos céus, sustentando o Olimpo.
O problema surge ao perceber que, aparentemente, os "deuses do Olimpo" estão alheios à realidade que aflige o mundo dos mortais brasileiros: o país está em chamas, não por causas naturais, espalhando fumaça e cinzas por grande parte do território nacional, com consequências que perdurarão por décadas, impactando a saúde de milhões e as economias que, supostamente, asseguram os empregos dos mortais e o poder dos "imortais", indiferentes ao que ocorre.
Talvez estejam demasiadamente distantes para enxergar, respirar e sentir os efeitos.
Ou talvez estejam envoltos em uma bolha de plástico e sílica que encobre suas figuras.
Excetuando-se as publicações político/eleitorais, raramente se observam posicionamentos, manifestos ou mesmo referências à gravidade dos eventos; a capacidade de influenciar as pessoas para que adotem valores como preservação, moderação e sustentabilidade, como critérios para futuras candidaturas, parece estar longe de se tornar uma realidade.
O Olimpo, afinal, é apenas virtual.
Música do dia: "Morro Velho, de Milton Nascimento"

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