O Oásis
- Roger

- 1 de out. de 2024
- 2 min de leitura
“O povo foge da ignorância, apesar de viver tão perto dela…”
(Zé Ramalho, da música: Admirável Gado Novo)
Vivi em um oásis; quem chega em um está invariavelmente em apuros. Aquele tipo de milagre que o instinto clama e o consciente duvida.
Mas o oásis pode dar a impressão de que a jornada, se não terminou, convida a desistir, tal é a falta de perspectiva que o deserto em volta sugere.
Irresistível é a vontade de ficar; sombra, água fresca, abrigo e segurança. A questão que surge é se o oásis é capaz de abrigar e proteger para sempre.
O oásis é o que é justamente porque ninguém permanece nele; não para sempre.
O oásis é o refúgio, o intervalo, o “pit stop”, o “corner neutro” do ringue da vida, que precisa seguir em frente, retomar ao ponto de partida, ou trilhar um novo caminho.
O oásis não é o fim, é uma pausa; o alívio providencial que aparece no meio do nada, o nada que invariavelmente é fruto das escolhas feitas, o nada que se apresenta sob os próprios pés que, passo por passo, obedeceu às ordens de quem os comanda, ainda que muitas vezes não se sabe para onde se quer ir.
É uma testemunha literalmente viva dos caminhos e descaminhos trilhados pelos incautos viajantes; espectador de toda sorte de andarilhos: os que se aventuram, os pioneiros, os que se castigam, os néscios, os peregrinos.
Muitos se perdem porque não diferenciam oásis de miragem; oportunismo, fanatismo, teimosia, soberba, indiferença, negligência, omissão, que evanescem tão logo se percebe o quão efêmeros, frívolos e fúteis são seus valores.
É possível que todos encontrem, em algum momento de suas vidas, o seu oásis; com sorte, mais de um, e cada um dá o nome simbólico que deseja, ou depreende. Os meus me ensinaram a ser uma pessoa melhor e a seguir com a jornada, com todos os seus desafios e mistérios.
Onde você se encontra, em um oásis ou perseguindo miragens?
Música do dia: A Seta, de Paulinho Moska (atualmente só Moska)

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