O RÓTULO
- Roger

- 2 de nov. de 2021
- 2 min de leitura
“Rotular e julgar alguém dá no mesmo.”
(Roger)
Em tese, é desnecessário definir algo tão disseminado entre nós; estamos todos cercados deles, dos produtos que adquirimos para a nossa alimentação, para a higiene e limpeza, para determinadas bebidas, e tantos outros objetos que nos ajudam a identificar não só que produto queremos, mas aquele específico que traduz nossas expectativas em termos de qualidade, ou mesmo nosso gosto pessoal, ou até um determinado estilo, uma escolha que pode até marcar nossa identidade.
Ele classifica, resume e nos mostra onde está aquilo que desejamos ou necessitamos (quando se sabe diferenciar um do outro, é claro); é o que nos dá alguma segurança de que estamos adquirindo um determinado produto, o qual deve corresponder ao conteúdo em seu interior.
É levado tão a sério em nossa sociedade, que existe um enorme segmento do Direito, que lida justamente em cuidar para que não haja confusão – seja de boa ou má-fé – entre o original e o que foi inspirado neste; a associação entre ele e o produto devem se comportar de forma siamesa, simbiótica, de forma tal que um só possa fazer sentido colado ao produto correspondente.
Quem fabrica o produto, em geral, tem orgulho do rótulo que é aplicado.
Entretanto, talvez nas relações humanas os rótulos não sejam bem assim...
Ao rotular uma pessoa, quem a faz não se importa em saber se o conteúdo corresponde com alguma fidelidade ao título que se cola.
Alguns muitos possuem conteúdo diferente do rótulo que lhe apõem; na grande maioria das vezes, o rótulo funciona como uma forma de diminuir, dissimular, desvalorizar e até desconstruir a pessoa rotulada. O contrário, porém, também ocorre com alguma frequência; uma vez internalizado o rótulo, por mais dissonante que seja sua conduta, por mais enganosa, destrutiva e demagógica que seja, alguns muitos ainda preferem crer no rótulo.
É quando o ícone transcende a verdadeiro ser.
Depois de um tempo, adoram, idolatram e até votam no rótulo, e não na verdadeira pessoa, no verdadeiro político.
O rótulo nos impede de enxergar o rotulado do jeito que realmente é; é cômodo, confortável, principalmente quando o rótulo deprecia o conteúdo. É um a menos, mais um atrás de nós na fila cada vez mais extensa das oportunidades; estas, cada vez mais minguadas.
O rótulo desestimula os rotulados na sua busca pela evolução, pela melhora da qualidade enquanto pessoa, enquanto profissional, enquanto cidadão. Por mais que se mude, por mais que demonstre melhora, as outras pessoas continuam a considerá-la conforme o biombo que lhe aplicaram.
O rótulo tem uma propriedade mais sutil, porém não menos eficiente: funciona como uma etiqueta adesiva com dupla face, porque tanto cobre o conteúdo verdadeiro de quem é rotulado, como também é capaz de aderir à consciência de quem classifica, como uma venda, ou uma bitola, que impede a visão mais ampla do que está à sua volta e à sua frente.
Ser humano não é produto; pode evoluir, pode corrigir, pode mudar seu conteúdo para melhor.
Quem rotula não só julga, mas condena.
Música do dia: “Dando Milho aos Pombos”, de Zé Geraldo.

Um Street-Artist






Bom dia,
O rótulo de produtos em geral escondem a realidade da produção, que muitas vezes são bons produtos e produções que agridem o meio ambiente ou se utilizam de animais para testes e por aí vai.
Já em nós mesmos, não temos um rótulo que informa como somos é preciso conhecer melhor, conviver, conversar sobre assuntos diversos, enfim ser próximos o suficiente para conhecer esta pessoa.
Contudo o conhecer é sempre visto pelo angulo de quem olha. Baseado em suas experiências de vida, criação, ambiente inserido e outros aspectos fazendo do outro uma pessoa vista de um modo peculiar, o que significa dizer que do ponto de vista de outrem a pessoa em analise será diferente.
Forte abraço,
Dario…