O Saboroso e Necessário Embalo Universal
- Roger

- 23 de abr. de 2024
- 3 min de leitura
“Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”
(Antoine Lavoisier)
O noticiário em geral, seja televisivo, ou pela internet, há muitos anos bombardeia nossas mentes de inúmeras informações, algumas de relevante utilidade pública, outras nem tanto, e muito provavelmente o volume constante, persistente e expressivo de estímulos, acaba induzindo condutas, formando ideias, ainda que a capacidade de cada um em depreendê-las pode individualizar ou relativizar até os conteúdos mais cristalinos.
Não custa reforçar que o “homo bellicus”, que se saiba, é o único ser vivo na Terra que é capaz de conferir diferentes conceitos e finalidades para a mesma coisa; essa capacidade de abstração e de relativização ante os mesmos fatos, objetos e intenções, produziu, ao longo dos séculos, uma miríade de culturas, civilizações, idiomas, artes, e que de certa forma criou a beleza e colorido das diversidades.
Só que não é sobre abstrações ou relativizações que se pretende discorrer esta provocação; com certeza é um produto delas, porém, é sobre um dos quase dogmas que há alguns séculos a corrente materialista hegemônica nos convence de que é natural: o crescimento perene.
Governos, agentes econômicos, especuladores, diretores comerciais, todos aqueles que estipulam metas e objetivos que sejam sempre superiores aos dos períodos anteriores; seja reduzindo seus custos, os salários, agregando valor alterando apenas a forma com que seu produto surge aos olhos de quem deseja comprar, reduzindo o peso do pacote sem redução do preço, dentre outros subterfúgios, para que o resultado continue sempre em ascensão.
Se Lavoisier estiver correto (em dias de relativização total pode ser até que não), isso só é possível se em algum lugar algo desce a ladeira; para alguém ou uma organização crescer indefinidamente, existe alguém ou uma organização que decresce, ou desaparece.
A lógica do crescimento constante não encontra amparo em qualquer outro lugar; se olharmos para todos os fenômenos que nos cercam, o fluxo e o refluxo são as tônicas que imperam no Universo, na natureza como um todo e, pasmem, também entre os autointitulados humanos.
O Universo oscila.
Nosso mundo oscila.
Nossa vida oscila.
Em uma savana africana, por exemplo, gnus, zebras e antílopes fluem e refluem em um movimento de balanço com seus predadores, os leões, leopardos e guepardos; quando os primeiros são abundantes, se tornam enorme fonte de alimento para os segundos. Estes, por sua vez, se reproduzem, aumentam sua população e reduzem a quantidade de presas.
Se os herbívoros não convivessem com os carnívoros, cresceriam a ponto de morrerem de fome, pela insuficiência de pasto para todos. Os carnívoros regulam a população de suas presas, permitindo a recuperação e crescimento das pastagens.
Se os carnívoros aumentassem sua população demasiadamente, morreriam de fome, porque teriam eliminado todas as presas.
Somente a humanidade não entende tal balanço; não entende e não respeita.
Os ciclos e as oscilações são encontrados nas ondas de rádio, no biorritmo, na sístole e na diástole, nas fases da Lua, na dança da coreografia celeste realizada pelos satélites em torno dos planetas, estes em torno do Sol, e este, pela galáxia.
Nas estações do ano, no fluxo das marés, na noite e no dia.
Na melodia escrita em uma partitura.
Nada só sobe ou só desce. Oscilar é a regra.
Somente a humanidade, ao construir socialmente a ideia de crescimento perene para seu materialismo, subverte a lógica dos ciclos e dos fluxos, não sem promover um irreversível desequilíbrio, ao deteriorar o ambiente em que vive, ao absorver os recursos naturais em demasia, ao subtrair o que é de todos apenas para alguns, a valorar tudo aquilo que a maioria das pessoas não tem, ou se sacrificarão para ter, ou mesmo jamais terão.
Só que o mundo, dá voltas…
Música do dia: “Como uma Onda”, de Lulu Santos
Créditos: não sabia que era capaz de pensar algo assim... criado com ajuda de uma IA.








Comentários