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Primeiro Relatório

  • Foto do escritor: Roger
    Roger
  • 29 de dez. de 2020
  • 3 min de leitura

“Viva como se fosse morrer amanhã. Aprenda como se fosse viver para sempre.”

(Mahatma Gandhi)



Este relatório ainda fora confeccionado em órbita do terceiro planeta a partir de sua estrela; em consonância com o relato anterior, a observação feita sob esta perspectiva, ainda que relativamente distante da sua superfície, apresenta algumas considerações relevantes sobre a dinâmica planetária e a relação dos seres humanos com o planeta.


Como na maioria dos planetas, e tal fenômeno é de conhecimento dos seres humanos, de acordo com as informações capturadas pelos objetos orbitantes, o movimento em torno de sua estrela tem a trajetória elíptica, cujas consequências também são igualmente de conhecimento dos humanos.


Outro fenômeno, não raro nos demais planetas e que também é de conhecimento dos colonizados, é a inclinação do seu eixo de rotação, que combinado com o outro movimento, promove um movimento de fluxo e refluxo na maioria de sua superfície, alterando seu clima, as correntes de ar da atmosfera e mesmo as correntes marinhas.


A totalidade das espécies, durante incontáveis ciclos, sobrevive adaptada ao ritmo cósmico que as cerca.


Com exceção dos humanos.


A ocupação dos espaços realizada por estes seres obedece a padrões ainda não totalmente compreensíveis, mas a resultante dos movimentos, se comparados com a última visita, mostra comportamento contrário ao do restante da vida nativa.


Não há fluxo e refluxo, mas a expansão quantitativa crescente, com duas consequências visíveis nesta posição observatória: a primeira, é a de que os espaços ocupados pelos humanos tornam-se praticamente inviáveis para os demais tipos de vida do planeta, sejam pela transformação dos ambientes anteriores em espaços inadequados para as demais espécies, seja pela utilização e transformação dos recursos originais disponíveis em produtos cuja combinação química final ou não se recombinam com a sua fonte de origem.


Dados coletados pelos objetos orbitantes mostram que o ser humano tem conhecimento de que os planetas são sistemas fechados, e que os recursos originais necessitam ser devolvidos quando transformados, que tais recursos não desaparecem e nem aparecem espontaneamente, necessitando que retornem ao ciclo que consiste em apropriação, uso, deterioração e retorno ao ambiente.


Por motivos que serão investigados posteriormente, o ser humano se apropria dos recursos originais em um ritmo muito superior ao que devolve.


A ocupação humana também não leva em consideração – embora tenham o conhecimento – que o movimento do eixo de rotação do planeta implica em significativas mudanças na sua superfície. Localidades onde atualmente abrigam vida humana serão ocupadas por calotas de gelo, bem como áreas atualmente desocupadas tendem a se transformar em locais que podem ser adequados para o sistema que suporta a vida no planeta.

A ocupação humana, deliberadamente em dissonância com o sistema de fluxo e refluxo cósmico e planetário, incorrerá em perdas que tendem a ser irreversíveis, tanto para a sua própria espécie, como para as demais formas originárias de vida.


As observações relatadas aqui ainda irão demandar algumas respostas, as quais não foram satisfatórias, e que exigirão mais análises, tanto aqui em órbita, como em superfície, o que acontecerá em breve. Do que fora apurado, e que necessitam confirmação, tem-se:


· Um empenho deliberado do ser humano em privar-se dos recursos originais indispensáveis para a sua sobrevivência e dos demais seres vivos;


· Um igualmente empenhado esforço deliberado em inviabilizar os espaços por ele ocupados, com prejuízos para a própria espécie e para as demais;


· O ser humano se apropria dos recursos originários e não os devolve, ou os transforma em novas substâncias, as quais ora não são reabsorvidas pelo meio ou despendem um tempo extremamente demasiado para que sejam devolvidos ao ambiente. No ritmo observado, o esgotamento dos recursos originários ocorrerá em poucos ciclos;


· A ocupação deliberada, contínua, linear e crescente de espaços, em ritmo dissonante com o do planeta, incorrerá em grandes perdas da própria espécie, pela recusa em se adaptar fluxo originário;


· A presença de um padrão autodestrutivo, observado no relatório anterior, começa a se consolidar, uma vez que a espécie aponta artefatos contra os semelhantes, adultera de forma prejudicial os gases atmosféricos indispensáveis para a própria sobrevivência, toma recursos e não os devolve e se distribui espacialmente com ordenamento ainda incompreensível, apesar dos seres humanos terem conhecimento das decorrências.


É o relatório.



Música do dia: “Terra”, de Caetano Veloso


Estação Espacial Internacional pelo astronauta da Nasa Terry Virts, mostra nuvens e a aurora boreal em detalhes (Nasa).

 
 
 

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