Relatório Preliminar
- Roger

- 15 de dez. de 2020
- 3 min de leitura
Frase do dia: “Terra, és o mais bonito dos planetas...”
Beto Guedes, in “O Sal da Terra”, um dos versos.
Este é o primeiro relatório de retorno ao terceiro planeta deste sistema estelar, após 8.479 ciclos deste em torno de sua estrela, quando da primeira visita.
Os dois primeiros relatórios serão produzidos ainda em órbita, fundamentalmente por dois motivos: o primeiro motivo é uma questão de precaução, uma vez que não se tem certeza da capacidade do ser supostamente predominante, em identificar a presença dos pesquisadores, embora o espectro sensorial deles tenha se mostrado incapaz de perceber outros seres que não sejam formados pela mesma estrutura química que os constituem; o segundo motivo tem como causa a presença de elementos significativos de análise ainda na própria órbita do planeta, os quais evidenciam traços do comportamento da referida espécie.
Observa-se uma quantidade incomensurável de dois tipos de objetos não naturais, os quais devem ser atribuídos aos seres objeto de nossa análise; os primeiros, em grande quantidade, se mostram energizados, apresentando inúmeras funções. Em quantidade ainda maior, são detritos, os quais se parecem com partes descartadas dos veículos que foram utilizados para colocar os primeiros em órbita. Os primeiros possuem finalidades que vão desde a observação dos fenômenos atmosféricos, passando por aparelhos que vigiam à distância o comportamento dos indivíduos, até artefatos que são utilizados seja para guiar outros artefatos, ou mesmo para causar danos aos próprios indivíduos.
Considerando os registros obtidos, tudo leva para a constatação de que esta espécie é a única no universo conhecido que deliberadamente destrói seu igual, e que aponta artefatos para o próprio planeta com este fim.
O outro foco das análises está na camada atmosférica, a qual confere uma das mais intrigantes dentre as conhecidas; como já era sabido, trata-se de um complexo sistema de gases e correspondentes propriedades, únicas neste grupo de planetas que orbitam esta estrela. Todos os seres vivos daqui, também como já era sabido, utilizam direta ou indiretamente um desses gases para obterem energia necessária para a sobrevivência, uma vez que a absorção energética deles só é feita indiretamente, procedimento formidável, porém com consideráveis fragilidades e limitações, as quais deverão ser observadas posteriormente.
A movimentação desses gases interfere de maneira decisiva na dinâmica da sua superfície, através de inúmeros fenômenos. Além disso, a mesma fornece uma aura protetora contra objetos sólidos que venham a colidir com o planeta, bem como uma proteção contra radiações emitidas pela estrela.
Chama a atenção o elevado grau de enfraquecimento desta mesma atmosfera: observou-se quantidade considerável de substâncias produzidas de forma não natural, as quais estão destruindo outro tipo de proteção contra a radiação, cujas espécies são totalmente dependentes.
Sem esse escudo protetor, a radiação será capaz de ou destruir drasticamente a vida tanto na superfície como nos imensos oceanos, ou mesmo inviabilizar a vida como um todo.
A questão a ser respondida, nas próximas incursões, é verificar se há deliberada ação nesse sentido, bem como descobrir as motivações que fazem a espécie supostamente dominante provocar os diversos tipos de fenômenos autodestrutivos.
A conclusão preliminar, a qual está dependente de mais observações, são as seguintes:
· Que há um predominante dispêndio de tempo e recursos naturais para a aniquilação mútua e deliberada da espécie, bem como das demais espécies;
· Que há igualmente um predominante dispêndio de tempo e recursos, voltados para a destruição da camada protetora, a qual é a principal garantidora da sobrevivência de todas as formas de vida deste planeta, o que tornaria desnecessário o empenho na aniquilação mútua.
O próximo relatório, que será produzido ainda em órbita, buscará compreender alguns fenômenos observados sobre um aparente desequilíbrio entre:
· A dinâmica do próprio planeta, ou o comportamento deste ao longo do tempo, ante as características astronômicas, seu posicionamento, movimentos de rotação e translação e os impactos sobre as formas de vida nele contidas; e
· O comportamento dos seres supostamente dominantes (os quais, de acordo com os dados coletados vindos dos próprios artefatos igualmente em órbita), se autodenominam humanos - termo cujo significado ainda não se sabe ao certo - e a relação destes com o planeta.
É o relatório.
Música do Dia: “Eva”, versão gravada pela banda Rádio Táxi

Fonte: NASA - Satélite NOAA, 16/07/16






Triste relatório. Provavelmente não estaremos aqui na próxima análise.