SOMENTE PARA SÃO-PAULINOS
- Roger

- 25 de abr. de 2023
- 4 min de leitura
UMA EQUAÇÃO CHAMADA SÃO PAULO FUTEBOL CLUBE
“Comigo ou sem migo o time é bom igual…”
(Famoso jogador de Futebol na década de 70)
Não se trata aqui de fazer uma analogia perfeita com a matemática, até porque não tenho tal conhecimento; entretanto, de certo modo, analisar o que vem acontecendo com um dos clubes de futebol mais bem sucedidos do país, pioneiro na gestão futebol-empresa, formador de grandes jogadores, e que vem acumulando sucessivos insucessos (o trocadilho não é acidental), talvez possa ser entendido através dessa modesta comparação.
Um time de futebol, como a grande maioria dos amantes do esporte deve saber, tem uma grande e complexa estrutura, física e humana, que trabalha ao redor da equipe que tem a finalidade de conquistar títulos. Há uma grande expectativa sobre os jogadores, de que seu desempenho resulte em triunfos constantes e consagradores.
Quando isso não acontece, contudo, nossa cultura “cabeça de solitária” tende a atribuir a responsabilidade sempre aos comandantes, como se outros fatores não fossem capazes de destruir toda uma temporada de trabalho. A visão nem sempre ampla de todo esse complexo pode esconder detalhes que podem atuar de forma decisiva nas frustrações sofridas pelos torcedores, jogadores, comissões técnicas e – que não se perca de vista – patrocinadores.
Em uma equação matemática, é possível encontrar variáveis e constantes, por exemplo; a interação entre elas e a operação que as liga é determinante para o seu resultado.
Em uma interpretação livre, comissão técnica, jogadores, diretorias e gerências de futebol, departamentos físico e médico, por exemplo podem ser considerados variáveis, porque tais, como se tem visto no clube com tanta frequência, mudam constantemente, e as trocas não implicam em sucesso. Até a diretoria pode ser considerada uma variável, porque a alternância de poder é possível e ocorre, e nem por isso os resultados se alteram.
O técnico recém dispensado, que iniciou sua carreira no clube, que saiu pela porta dos fundos em sua primeira vez como treinador no clube, conquistou títulos sucessivamente em clubes díspares: um deles, com orçamento muito menor, fora campeão do seu respectivo estado, da copa da sua região, e coroado foi com a inédita conquista do título nacional da divisão de acesso à elite do futebol brasileiro. Seu legado foi tão significativo, que seu sucessor levou o clube para outro inédito feito, que foi o acesso ao torneio continental.
Em sua passagem breve pelo time de maior torcida do país, conquistou todos os títulos que disputou; este mesmo clube, com orçamento, elenco, estrutura, muito superiores aos do São Paulo e do Fortaleza (nem se fale), e um técnico estrangeiro, perdeu todos os títulos que disputou.
Então, talvez, o problema não seja o técnico, ou a comissão técnica, porque outros treinadores, igualmente consagrados, não lograram êxito no São Paulo, mas conseguem triunfos em outras paradas; um exemplo marcante desta tese se encontra no clube também tricolor, mas do Rio de Janeiro: dispensado pelo São Paulo, transformou o atual clube em campeão do seu estado recentemente, apresentou desempenho formidável no torneio nacional do ano passado, com dinheiro, estrutura e elenco não superiores ao do clube paulista.
A mesma situação se demonstra entre os jogadores: neste ano de 2021, um jogador foi ofendido pelo então treinador (que também foi demitido), de forma dura, a ponto daquele ter que se desligar. O time que o acolheu foi campeão brasileiro, e este jogador fazia parte do elenco vencedor, com destaque. Como ele, inúmeros jogadores que deixaram o São Paulo conseguiram prosseguir em suas carreiras, muitos com títulos e sucesso em seus novos clubes.
Então, talvez, o problema não esteja no elenco.
Lembrando que o São Paulo possui um dos melhores centros de treinamento do país, talvez do mundo, além de um local privilegiado para o desenvolvimento de jogadores da base, praticamente uma tradição do time. Mesmo assim, os resultados não aparecem.
O mesmo ocorre com os gerentes de futebol e patrocinadores; quantos já passaram pelo clube, e mesmo com muito prestígio e receptividade, também fracassaram em seus intentos.
O que sobra então?
Se as variáveis, por mais que se combinem, se alterem ou se alternem, não produzem resultados, então talvez a questão se encontre nas constantes, aqueles termos da equação que estão sempre presentes nela.
E no caso, além de constantes, talvez sejam incógnitas, discretas.
Se uma ou mais constantes entram na equação multiplicando ou dividindo, e seu valor for 0 (zero), o resultado será sempre zero.
Talvez seja o momento de identificar qual constante que, associada direta ou indiretamente a todo o esforço feito pelas variáveis, esteja desintegrando qualquer tentativa de sucesso.
Uma vez identificada a constante, e alterada, talvez o São Paulo volte a ocupar o lugar que sempre fez por merecer, para o bem do clube, de sua torcida, e mesmo do próprio futebol, que cresce na direta proporção de clubes altamente competitivos.
Justiça seja feita, uma constante, de saída, está isenta de responsabilidade: a torcida. Porque ela pode até somar, mas não se mostra efetivamente capaz de inviabilizar o trabalho realizado dentro das dependências do clube. E nem é M.O. dos torcedores são-paulinos.
Por fim, uma provocação:
Não é estranho o time ficar tantos anos sem títulos relevantes (o título paulista de 2021 é uma exceção que confirma a regra), e mesmo assim nunca correr riscos reais de rebaixamentos?
R = (T + Ct + E) . (Df + Gf) + (Dm + Df) . (DF + DC) . X
Se “x” for igual a 0, R será sempre 0.
Hora de descobrir quem é “x”.
Música do Dia: “O Futebol”, de Chico Buarque

Créditos: Brasil Escola






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