Sístole e Diástole
- Roger

- 22 de set. de 2020
- 2 min de leitura
“A vida vem em ondas, como o Mar, num indo e vindo infinito...”
(Lulu Santos, in “Como Uma Onda”)
O Sol ingressa em Libra nesta data, anunciando a Primavera, no hemisfério sul de nosso planetinha; dependendo do lugar do planeta, sua chegada é transformadora, indisfarçável e fervilhante. Justiça seja feita, as demais estações também possuem seus encantos, Verão, Outono e Inverno dão os seus recados e se fazem presentes deixando igualmente suas marcas.
Além disso, tais fenômenos fazem parte de uma dança harmoniosa, cujo ritmo é dado pela inclinação do eixo de rotação da Terra, e pelo seu percurso em torno do Sol, cuja variação de distância decorre da órbita elíptica terrestre; essa dança promove, fiel e pontualmente, há milhões de anos, uma sinfonia de sons, cores, movimentos, temperaturas, estados físicos, dentre outros acontecimentos. E que de forma cíclica vai e volta, sem falta, em cuja lealdade cósmica a vida se apoia, certa de que a batuta irá manter o controle, o andamento, a intensidade, a regularidade.
Um olhar mais atento ao que se encontra em nosso entorno, bem como em todos os lugares os quais ora visitamos presencialmente, ou assistimos nas telas de mão ou de mesa, mostra que essa dança - que acontece às vezes em ritmos diferentes, outras vezes em tonalidades diferentes, ou mesmo em intensidades diferentes - consiste em um perene dar e receber, tomar e devolver, um ir e um vir; um fluxo e um refluxo que estabelece uma delicada relação entre os seres vivos e os não vivos, uma interdependência sutil muitas vezes, e outras vezes avassaladoras, cujo resultado é um igualmente tênue equilíbrio.
Se a savana africana tem antílopes demais, pode ter vegetação de menos; assim, a presença de leões, leopardos, hienas e guepardos, passa a exercer importante função de permitir a recuperação das pastagens, e ironicamente a própria existência dos primeiros.
As marés, sob o encanto da Lua, fluem e refluem desde tempos imemoriais; e a vida ocorre de forma efervescente tanto abaixo da linha do mar como na faixa intermediária entre a maré alta e a baixa, pela lealdade perene que o mar garante.
O urso polar hiberna na certeza de que, quando despertar de seu sono, vai encontrar a comida que rareia no rigoroso inverno, que chega implacável, mas vai embora no seu sabido tempo, dando lugar à já mencionada primavera e, junto com ela, as oportunidades para seu desjejum e procriação.
Os planetas realizam seus passos de dança, e que chamamos comumente de órbitas; cada qual no seu andamento, desfilam elegantemente no gelado espaço, de forma infalível: Mercúrio em 88 dias, Marte em 22 meses, Saturno em 29 anos e o rebaixado Plutão em modestos 248 anos. Este último, inclusive, descoberto foi graças a cálculos matemáticos.
Admirável regularidade e lealdade do metrônomo que rege o nosso e tantos outros sistemas planetários e siderais, há bilhões de anos.
Os Dias e as Noites.
O Big Bang.
Então, não se sabe ao certo como, quando e porque, surge o homem...
Música do dia: "Planeta Água", de Guilherme Arantes







O urso polar está acordando mais cedo devido ao derretimento da calota polar. Isso acarreta em falta de comida para ele e desregulação do seu relógio biológico