Tanto Faz
- Roger

- 25 de ago. de 2020
- 1 min de leitura
"A indiferença é a maneira mais polida de desprezar alguém."
(Mario Quintana)
A indiferença é um déficit de empatia.
A perda consciente da capacidade de perceber a existência do outro, que este sente e deseja praticamente as mesmas coisas que nós.
Em algum momento, tal como um remédio automedicado, ficar indiferente é fruto de uma escolha.
Ela causa, no início, um formigamento na alma, que aos poucos vai ficando entorpecida.
Vamos perdendo a capacidade de perceber a dor que não é nossa, a fome que não é nossa, a angústia que não é nossa; depois de um tempo, só somos capazes de pensamentos e atos umbilicocentristas.
As pessoas que não fazem parte do nosso espectro social se tornam, aos poucos, amorfa.
Depois de um tempo, a indiferença se estabiliza, e nós passamos a assimilar situações outrora graves como triviais.
Passamos a sentir apenas as nossas dores. Exigir apenas aquilo que entendemos ser nosso (nem precisa ser). A procurar apenas o nosso próprio prazer.
Sobre a bala achada na vítima, passamos a chamar de perdida. Sobre a vida perdida, não achamos nada.
A indiferença transforma as pessoas que usam uniforme em invisíveis.
Se alguém de nós deseja saber em qual estágio de indiferença estamos, um exercício: tentem se lembrar dos nomes dos porteiros, das pessoas que cuidam da limpeza, dos garçons e das copeiras que encontramos no condomínio ou em nosso local de trabalho.
A indiferença é o pecado que anestesia a alma.
Música do dia: “Menino”, de Milton Nascimento




Belo texto! A indiferença nos diferentes. Precisamos nos importar verdadeiramente.
Abs
A indiferença viralizou e tornou os ditos seres humanos apenas em seres. Indiferença virou uma palavra indiferente. Até quando...