Uma Relíquia Chamada Escola – Final?
- Roger

- há 3 dias
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“Educar verdadeiramente não é ensinar fatos novos ou enumerar fórmulas prontas, mas sim preparar a mente para pensar”
(Albert Einstein)
Uma professora foi ferida ao tentar separar uma briga entre adolescentes dentro da escola. A Polícia Militar registrou a ocorrência, e os alunos foram encaminhados à delegacia.
Um professor de educação física foi agredido por responsáveis de um aluno durante uma aula. A mãe invadiu a quadra escolar sob a alegação de que o filho estaria sendo agredido, culminando no ataque ao docente.
A Escola, como já se afirmou, é uma encruzilhada de demandas, expectativas e encontros, entre outras características. Seria ingênuo ignorar que a Instituição sofre as consequências de uma sociedade cujo tecido social se encontra esgarçado — um corpo que aparenta padecer de uma espécie de septicemia moral, anestesiado pelas telas, pelo imediatismo dos impulsos irrefletidos, pelas distrações espúrias frequentemente travestidas de debate político, pelo individualismo exacerbado e pela iminência de crises ambientais potencialmente irreversíveis.
Diante de estímulos tão intensos, instantâneos e frequentemente permeados por mensagens — explícitas ou subliminares — de violência e corrupção de valores, a Escola passa a ser percebida, não raro, como um incômodo obstáculo.
Vivemos em um contexto em que se combatem, majoritariamente, os sintomas: seja porque as causas são deliberadamente manipuladas com vistas a oprimir, alienar ou dividir; seja porque a comercialização de soluções rápidas é mais simples, barata e lucrativa; seja, ainda, porque há uma escolha — consciente ou não — de não saber e de não refletir.
A Escola, mais uma vez, figura como entrave diante da urgência por resultados efêmeros, pela busca dos “quinze segundos de fama”, pela prevalência do parecer sobre o ser — lógica amplamente difundida e continuamente aperfeiçoada, que distancia o indivíduo da realidade que o circunda.
A solidão coletiva compartilhada.
É certo que a Escola não é a única Instituição a sofrer um processo de desintegração progressiva. Outras estruturas sociais também se deterioram ou passam por mutações profundas, cujos efeitos, inevitavelmente, repercutem no interior das salas de aula.
É possível que a Escola mude de nome, de formato, de organização e até mesmo que passe a exigir um novo perfil de profissional docente. Ainda assim, deve caminhar no sentido de relações mais humanas (em seu melhor sentido), mais igualitárias e verdadeiramente cidadãs.
Uma Escola que estimule sonhos, valores e sentimentos elevados — envolvendo alunos e seus núcleos afetivos — e que se contraponha ao comportamento reativo, irresponsável, inculto e, por vezes, corrompido daqueles que ocupam posições de poder.
Seja qual for o modelo de organização de uma sociedade civilizada, ela não prescindirá da Escola.
Música do Dia: “Diariamente”, com Marisa Monte.




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