top of page

Toda Jornada Começa com o Primeiro Passo

  • Foto do escritor: Roger
    Roger
  • 1 de mar. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 15 de abr. de 2020

"Toda pessoa sempre é as marcas das lições diárias de tantas outras pessoas.”

(Gonzaguinha, da música “Caminhos do Coração”).


É possível que, como tantos outros termos ou expressões idiomáticas, este em especial tenha perdido espaço. Talvez pela própria tendência atualizante, a renovação das formas como manifestamos ações, reações e sentimentos, naturalmente vai deixando para trás expressões que acabam perdendo o seu sentido; aliás, falando em sentido, algo pode deixar de ter sentido, em termos de significado ou finalidade, geralmente quando a causa que estimulou a reação desaparece, ou quando a causa não só persiste, como se deseja que continue desta forma.


Era muito comum, ao menos nas minhas lembranças de infância e adolescência, presenciar duas pessoas decidindo ir às vias de fato, diante de algum conflito, como forma de que a visão e ou opinião de um prevalecesse sobre a do outro; se era nos domínios da escola, o desafio era transferido para a esquina mais próxima.


Ali, diante dos colegas, moradores, trabalhadores e patrões, transeuntes, e entre um ou outro sopapo, agarrões e empurrões, desfilavam sua valentia. O mesmo também acontecia entre turmas de rua, fenômeno cada vez mais raro atualmente, por conta da verticalização das moradias – onde jovens moradores de uma rua ou vilas enfrentavam outros jovens de outra rua ou vilas, por motivos nem sempre fundamentados, os quais poderiam variar desde um olhar atravessado de um membro em direção ao outro, o simples fato de um jovem de uma vila passar pelo “território” rival, ou mesmo retaliação por um suposto flerte, supostamente feito por alguém de uma localidade, a uma jovem pertencente à outra.


Evidentemente, existem outros tantos exemplos que ainda ocorrem nos dias de hoje.


Era muito comum, todavia, tão logo tinha início os momentos de pugilato, o surgimento de pessoas, envolvidas ou não com os combatentes, que interrompiam o conflito, ou ao menos faziam o possível para dar fim ao mesmo.


Era a turma do deixa disso.


Independentemente dos motivos que faziam com que essas pessoas interferissem na contenda, uma inferência pode ser feita, sem muito receio: a de que, ao menos, a turma do deixa disso entendia que as “vias de fato” não eram a melhor maneira de enfrentar e resolver os conflitos.


Não se deve esperar que quem estava apartando era, necessariamente, neutro ou indiferente em relação a esta ou àquela briga; é até possível que alguns estivessem de passagem, e por princípios pessoais desviaram do seu caminho com a intenção de impedir a progressão da animosidade no âmbito físico. É possível também que, mesmo entre os apoiadores de um ou de outro adversário, tenha pairado algum senso de medida, optando pela interrupção do enfrentamento.


Alguns apartam por medo.


Alguns apartam por conveniência.


Alguns apartam por apartar.


Alguns apartam porque entendem que o enfrentamento serve apenas para desviar o foco.


Sou simpático da ideia de que a reprodução de situações conflituosas, sejam entre pessoas que se conhecem ou mesmo desconhecidas, acaba se transformando em fenômenos com um fim em si mesmo, onde as contendas passam a ser a única finalidade, e não uma via exacerbada e hipertrófica, de resolução de problemas, cujas saídas propostas entre os envolvidos sejam divergentes ou aparentemente inconciliáveis.


O Deixa Disso é um espaço para reflexão, que não abre mão da visão crítica e de um olhar mais atento e menos superficial dos fenômenos que deságuam atualmente nas trocas intensas, virulentas, estéreis e constrangedoras que grassam principalmente no ambiente das redes sociais, no Brasil e fora dele.


Sem a pretensão de apontar a melhor direção, ou a melhor solução para as mazelas que nos cercam, quer ser um espaço para olhar além do imediato, entender os processos subjacentes que efetivamente provocam e mantêm a temperatura febril das manifestações que encontram sua apoteose nas redes sociais.


Da mesma forma, tentar entender as motivações que vem proporcionando tantas reações alérgicas oriundas dos mais diferentes tipos de pessoas e, quem sabe (e por que não) estimular uma incursão dentro de nós mesmos e redescobrir quem realmente somos.


O convite está feito.


Seja bem-vindo e bem-vinda!


Daqui a 15 dias, sempre às terças feiras, uma nova publicação, falando sobre cotidiano, assuntos midiáticos ou não, situações triviais e impactantes, onde as ações humanas, de alguma forma, mostram a resultante daquilo que escolhemos ser.


Toda jornada, seja ela curta ou extensa, começa com o primeiro passo.


Até a próxima!


Música do dia:

“Compasso”, de Ângela Rô Rô


 
 
 

Comentários


(11)94300-8520

Formulário de inscrição

Obrigado(a)

©2020 por Deixa Disso!. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page