Virtus Emanat Ab Omni Populo
- Roger

- 28 de jul. de 2020
- 2 min de leitura
Atualizado: 18 de set. de 2020
“O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que estão à sua volta”
(Nicolau Maquiavel)
É bem provável que muitos de nós já tenham experimentado aquela sensação de uma música, uma frase, uma imagem, que demora dias para sair da cabeça; não raro tais frases ou músicas, ou bordões, sejam aqueles que diferem totalmente dos nossos gostos habituais, ou seja, do tipo que jamais entrariam em nossas playlists, nos repositórios de frases marcantes ou de lembranças significativas.
Pela primeira vez, tenho a impressão de que hoje o cacoete se concentra em um verbo; sim, um verbo. Acordar, passar o dia inteiro, almoçar, jantar, tomar café, tomar banho, assistir o seriado preferido, e aquele verbo acompanhando por onde quer que eu vá.
Emanar. Verbo que provavelmente muitos de nós já conjugamos ou ouvimos conjugar.
Existem verbos que nos remetem a fenômenos alvissareiros, enaltecedores, otimistas; aqueles que associamos com sensações ou situações que aguçam nossas melhores vontades.
É verdade que existem verbos, todavia, que nos remetem a fenômenos merecedores de escárnio, de desprezo, que rotulamos com a marca de algo destrutivo, pejorativo, que associamos com sensações ou situações que causam temor, ojeriza, náuseas e até mesmo algum tipo de ira.
Algumas pessoas que conheço diriam que emanar é um verbo “fofo”: de pronúncia leve, elegante sem ser erudito, que passa a sensação de uma ação repleta de alma, mesmo para quem ouvir ou conjugá-lo pela primeira vez.
Emana-se brilho, aroma, calor, afeto, gentileza, candura, luminosidade; existe verbo melhor do que emanar para descrever um lugar que oferece leite e mel?
Emanar é um verbo altruísta por natureza; seu caráter unilateral indica uma única direção e sentido, e que não exige, nem sugere a recíproca. O que se emana não se toma de volta; uma vez emanado, o destino do que se emana é o exterior, para algum lugar, para alguém, que recebe com pouco ou nenhum esforço aquilo que é oferecido.
Aquele ou aquilo que emana não usufrui do resultado de sua própria ação.
Emanar é exalar, é dissipar, é espargir.
Emanar é desprender.
Uma flor emana perfume, que a deixa para ser capturada pelos arredores; o sol emana toda a sua luz e energia, que é absorvida, refletida, contida, para o bem da vida, sem que seja necessário devolvê-la.
Emanar é um ato unilateral não recíproco.
Da jabuticabeira emanam as jabuticabas, as quais são aproveitadas por quem as colhe; a árvore não as toma de volta.
Talvez por isso, em nossa Constituição Federal, em seu artigo primeiro, em seu parágrafo único, está expresso que todo o Poder emana do Povo; quem redigiu pensou bem no momento de definir nosso papel.
O Poder, então, se desprende de nós, e deixa de ser nosso?
Estranhamente, depois dessa dúvida, parei de pensar neste verbo.
Música do dia:
“Até Quando Esperar”, da Plebe Rude.

NASA: Sonda Cassini






Caberia aqui muita reflexão. De fato, o poder emana de nós, depois...nem sei mais. Sou cidadã, sigo acreditando, mas não muito. Então por enquanto vamos sendo felizes com as boas coisas que emanam da natureza, dos amigos, dos amores!
Em um contexto é tão lindo e em outro, sei lá...