Cunhado, uma Espécie em Extinção
- Roger

- 11 de mar. de 2025
- 3 min de leitura
“O bom de ter cunhado é ter alguém para sempre colocar a culpa das coisas…”
(do anedotário popular)
Era uma vez, em um Brasil nem tão remoto assim, uma figura singular que reinava soberana nos almoços de família: o ilustre cunhado.
Ah, o cunhado! Esse personagem multifacetado, que parecia ter saído de um manual de causos populares, sempre pronto para dar palpites mirabolantes, dar maus exemplos para os sobrinhos, contar piadas duvidosas e, é claro, pedir um "pequeno" empréstimo que nunca mais veríamos. Dono de ideias revolucionárias sobre como enriquecer da noite para o dia, ele opinava sobre tudo e era a pessoa certa (ou nem tanto) para consertar de um cano vazando a uma crise financeira.
Contudo, como todas as boas histórias, a saga do cunhado está perto de seu grand finale.
Mas não se engane, não é porque ele finalmente aprendeu bons modos ou aposentou as piadas sem graça. Não, senhores, é porque ele está se tornando uma raridade, uma espécie ameaçada de extinção.
Os números não mentem.
A taxa de natalidade no Brasil está em queda vertiginosa. Em 2022, atingimos o menor número de nascimentos desde 1977. Famílias estão reduzindo, irmãos estão desaparecendo... e sem irmãos, meus amigos, não há cunhados! A matemática, por mais simples que pareça, é implacável.
Tempos atrás, famílias com cinco, seis ou até sete filhos eram comuns. Hoje, a média brasileira caiu para 1,65 filho por mulher. Ou seja, se você ainda tem um irmão, considere-se um sortudo. E se esse irmão lhe presenteou com um cunhado, celebre: você faz parte de uma linhagem rara de privilegiados.
A era das famílias numerosas, cheias de tios, primos e agregados, já ficou para trás, junto com a máquina de escrever, os passes de ônibus de papel e aquele geladinho artesanal vendido no portão da escola.
Com a redução no número de irmãos, o protagonismo do cunhado também diminui. E assim, o anedotário popular sobre ele vai se perdendo no tempo. Piadas que antes eram motivo de riso fácil começam a soar como relíquias de um passado distante, relembradas por parentes saudosistas.
Para piorar a situação dessa figura mítica, surge mais um obstáculo: para ter cunhados, é essencial estar casado ou em união estável, o que, convenhamos, não é exatamente a tendência em alta nos tempos atuais.
As cerimônias tradicionais vêm se reinventando. Nos altares, os irmãos dos noivos têm sido substituídos por amigos da faculdade, colegas de trabalho ou até mesmo os avós, já que o aumento da expectativa de vida garantiu mais idosos disponíveis do que crianças para levar alianças.
Outro impacto dessa transformação? O “cargo” de cunhado, antes vitalício, agora dura, em média, apenas 13 anos – tempo estimado pela duração dos relacionamentos, segundo recentes estatísticas.
Diante desse cenário, só nos resta uma atitude: valorizar os cunhados que ainda temos.
Afinal, estamos falando de um patrimônio cultural em risco de extinção. Quem sabe, no futuro, nossos descendentes ouvirão histórias sobre esses personagens quase míticos, que habitavam nossas mesas de domingo e animavam nossos encontros com seu carisma peculiar.
Caro leitor, lembre-se: o cunhado que você conhece hoje pode ser o último de sua espécie. Celebre-o. Ou ao menos tente rir das piadas sem graça – elas já são parte da história.
Música do Dia: "Família", dos Titãs.

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Ser cunhado é uma profissão!! Kkk