Ensaio sobre a guerra - Epílogo - Epílogo?
- Roger

- 17 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
“A diplomacia é a arte de dizer: ‘bom cachorro’, até encontrar uma pedra.”
(Will Rogers)
É ilusório imaginar que mudanças reais possam ser alcançadas sem romper com padrões estabelecidos. A história revela que, embora a maioria das populações tema e evite a guerra, seu curso tem sido implacavelmente ditado por uma minoria que a fomenta.
Ao longo dos séculos, os conflitos armados, conduzidos sob pretextos diversos, perpetuaram um ciclo de destruição, pontuado apenas por breves e frágeis tréguas, e ocasionalmente, por ilusões de paz.
O Homo Bellicus, designado como Sapiens por mera convenção, vê no confronto uma norma incontestável. Controvérsias, interesses opostos e disputas de poder não encontram solução no diálogo, mas sim na submissão do outro pela força.
A guerra não é um desvio de conduta, mas sim a forma predominante de impor vontades e eliminar o que se considera inconveniente.
Talvez, no cerne desse comportamento, esteja a incapacidade visceral do ser humano de reconhecer e sentir a dor alheia. A tão exaltada "empatia" talvez não passe de uma construção social, uma abstração utópica, uma tentativa desesperada de imprimir um valor intangível a um instinto que, na realidade, não se manifesta de forma genuína.
O homem não absorve as lições de seu passado, tampouco transmite o aprendizado adquirido para suas futuras gerações. Seu DNA é impermeável ao sofrimento experimentado, e é por isso que sua trajetória está eternamente fadada a repetir os mesmos horrores: dor, humilhação, crueldade e morte.
A sociedade que se permite participar de linchamentos — agora adaptados aos tempos modernos e realizados até mesmo no mundo virtual — não pode reivindicar uma natureza pacífica. A resolução dos embates por meio da violência não é uma aberração, mas sim a regra. A análise histórica apenas confirma o agravamento da posição dos envolvidos, cuja rigidez ideológica conduz inevitavelmente ao conflito.
Diálogo cede espaço ao enfrentamento, colaboração dá lugar à imposição, coexistência se rende à aniquilação, respeito é substituído pela humilhação. E, paradoxalmente, em meio à devastação, surgem avanços: armamentos mais sofisticados, veículos aprimorados, técnicas médicas inovadoras e sistemas de navegação otimizados — todos frutos da necessidade de destruir com maior eficiência.
A presença da guerra não é discreta. Ela está impregnada na cultura, na linguagem, no entretenimento, no noticiário e nos negócios. Molda a infância, alimenta ambições, fundamenta ideologias. E aqueles que jamais empunham armas batalham de outras formas, avançando inexoravelmente no campo de guerra social.
Diante disso, é de uma grande ingenuidade imaginar um futuro onde a coexistência pacífica triunfe.
A humanidade respira o belicismo, se comunica por meio dele, celebra sua existência e o preserva como essência.
O próprio desenrolar da história demonstra sua relevância: a transição entre eras — da Antiguidade à Idade Média, da Idade Média à Moderna, da Moderna à Contemporânea — sempre foi definida por guerras. Não há razão para esperar que a próxima grande mudança ocorra por meios diferentes.
E desta vez, quando vier, será avassaladora.
Esperar outra coisa do Homo Bellicus seria ilusão.
Música do dia: “Canção do Expedicionário”







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