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Ensaio Sobre a guerra - Parte 1

  • Foto do escritor: Roger
    Roger
  • 8 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura

“Manter a Paz é mais barato, mas não dá lucro...”

(Roger)



É quase redundante aprofundar o conceito de belicismo, tamanha sua infiltração nas diversas culturas e no tecido cotidiano. Manifesta-se na linguagem que proferimos, nos monumentos que adornam nossas praças e até nos brinquedos que oferecemos à infância.


Embora ainda nos cause repulsa a visão de crianças empunhando armas em cenários de conflito na África, no Oriente Médio ou mesmo nas periferias urbanas brasileiras, paradoxalmente, absorvemos com uma naturalidade inquietante a miríade de estímulos bélicos que nos cercam, veiculados pelo noticiário, por programas televisivos ou pela tela onipresente de nossos dispositivos portáteis.


Desde os primórdios da civilização, a guerra se erige como uma força poderosa e devastadora, esculpindo o curso da história com traços simultaneamente trágicos e transformadores. Em sua crueza visceral, explicita a fragilidade e a dispensabilidade da vida humana.


A guerra ceifa vidas, dilacera corpos e traumatiza mentes, imprimindo cicatrizes indeléveis naqueles que, direta ou indiretamente, testemunham o horror que emana da capacidade humana de aniquilar um semelhante, transformado em inimigo por motivações frequentemente alheias à sua realidade e anseios, servindo à voracidade de indivíduos entrincheirados em seus gabinetes.


Se, por um lado, a guerra revela-se em sua brutal sinceridade, expondo a desvalorização da existência humana, por outro, suas motivações frequentemente se revestem de profunda insinceridade. O discurso que intenta justificar a carnificina opera, amiúde, como um engodo, ocultando as verdadeiras intenções sob narrativas inconsistentes e falaciosas, desviando o foco de questões que, em tese, deveriam encontrar resolução no âmbito interno.


A estratégia de imputar a culpa ao adversário ecoa a tática de muitos que buscam desqualificar o outro em vez de promover a própria evolução.


Não surpreende, portanto, que a verdade seja invariavelmente a primeira vítima da guerra.


Sob certa perspectiva, torna-se compreensível conceber a guerra como um espaço liminar onde os preceitos da civilidade são descartados, abrindo caminho para a eclosão de atos repulsivos, primários e degradantes.


Desde os embates tribais até os conflitos de escala global, a guerra tem ceifado incontáveis vidas, desmantelado civilizações e infligido um sofrimento incomensurável. A devastação física e psicológica que impõe é um lembrete constante da fragilidade inerente à vida humana e às sociedades que edificamos.


Cidades são reduzidas a escombros, laços familiares são desfeitos e culturas inteiras são obliteradas.


Em sua essência, a guerra configura-se como a expressão mais extrema da violência. Frequentemente, exacerba desigualdades preexistentes e engendra novas formas de injustiça. Grupos marginalizados podem sofrer de maneira desproporcional durante e após os conflitos, perpetuando disparidades sociais e econômicas.


Talvez um dos aspectos mais sombrios do belicismo, para além do horror e da dor inerentes aos conflitos armados, reside nas motivações multifacetadas que conduzem à mortandade deliberada e organizada.


Embora a retórica em sua defesa se manifeste, invariavelmente, no singular, a história secular revela um lado pútrido, insensível e cruel da guerra, deflagrada sob pretextos diversos que mascaram propósitos obscuros, os quais serão objeto de análise no texto subsequente.


É quando a morte organizada, generalizada e implacável tem um propósito oculto.


Música do Dia: “Era um Garoto, que como Eu, Amava os Beatles e os Rolling Stones”



2025 - RDA Eventos Artísticos - imagem produzida com auxílio de IA
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